Natal é esperança

Sarau Especial de Natal 2016.

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É muito engraçado ou estranho falar de natal fora da época de natal. Mas porque será que nos sentimos assim? Obrigados a comemorar somente nos dias específicos (ainda mais datas que envolvem o religioso).  O sarau de natal foi um dos saraus mais emocionantes que já participei. Ele foi presidido todo pela Raquel (filha de Rubem Alves) e foi um momento muito único a mim e espero que a todos.

Final de ano sempre nos trás uma canseira espiritual, corporal. Ele é desfecho e no geral estamos bem desanimados em determinados momentos. Eu por exemplo, estava sem vontade alguma para comemorações de natal. Triste devido a muitos acontecimentos. Mas o sarau veio de encontro a essa tristeza para que eu entendesse que nem tudo estava perdido.

O ritual começou já diferente, pois devido aos ventos fortes do dia, ficamos sem energia elétrica e fizemos um sarau a luz de velas. A Raquel havia preparado uma pequena mesa de ceia, com vinho, queijo e frutas secas. Tivemos a surpresa de um sarau diferente dos outros, mais pessoal ainda, mais aconchegante. Foram preparado dois textos chaves para o sarau, um de Alberto Caeiro e um do próprio Rubem, além da dinâmica que a Raquel fez de espalhar poesias sobre natal e Deus entre os participantes para ler e refletir.

Ela nos perguntou se acreditávamos em Deus, afinal, natal é uma festa religiosa, embora atualmente pareça mais uma troca de presentes e comilança. Esse foi um dos pontos tão importantes para que o sarau fizesse toda a diferença

Mas a mim, o ponto mais alto foi quando Raquel compartilhou uma coisa muito pessoal conosco, algo de sua vida, para nos colocar em vista de que mesmo na maior dificuldade devemos comemorar o natal; Ela não estava querendo se fazer de vítima ou algo do tipo ‘há pessoas que sofrem mais que você’ não! Ela queria ser exemplo sim de esperança. E ela fez! Pelo menos a mim. Não irei comentar a fala dela, mas saibam que é relacionado a vida, a relacionamento, a saúde. Coisas que são essência da nossa existência. Ela disse que mesmo na dor podemos ser gentis e que esse movimento faz com que tudo vá com mais leveza.

Eu saí deste sarau renovada. Eu saí acreditando que mesmo com um ano duro, um desfecho que talvez não esperava, o natal estava aí mais uma vez. Um menino que insiste em nascer para nos dar esperança.

Ao final, Raquel nos propôs para fazermos um movimento para o natal e ano novo. Coisas que queremos que fosse diferente. Que sempre tivemos vontade de fazer, mas achamos sem importância. E disse que depois queria que a gente contasse isso, nos próximos meses de sarau que viriam…

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“Deus lá nas alturas olhou pra terra e a beleza era tanta que até doeu…até que resolveu vir morar por aqui. O céu desce à terra. Nasceu, como um de nós. E desde então a vida inteira ficou sagrada” – Rubem Alves.

Sobre Alegrias

Sarau das alegrias!

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Pode parecer fácil falar de alegria, já que é algo que desejamos sempre e que é a base para a felicidade, porém falar de alegria requer muita inspiração e força de espírito.
Esse foi o segundo sarau que participei que teve como tema: Alegria. Essa que vai e vem em nossa vida e que pode ter muitos motivos ou motivo algum.
A cada sarau meu querido e porta voz do sarau realiza dinâmicas diferentes para falar sobre o tema abordado. De início ele recitou dois poemas sobre alegria de autoria de Rubem (um deles, aliás, tinha lido um dia antes, pois fiz uma lição de casa e estudei sobre o tema)

“Antigamente eu pensava que prazer e alegria eram a mesma coisa. Não são. As diferenças. Para haver prazer é preciso primeiro que haja um objeto que dê prazer um caqui, uma taça de vinho, uma pessoa a quem beijar. Mas a fome de prazer logo se satisfaz. Quantos caquis conseguimos comer? Quantas taças de vinho conseguimos beber? Quantos beijos conseguimos suportar? Chega um momento em que se diz: “Não quero mais. Não tenho mais fome de prazer…A fome de alegria é diferente. Primeiro, ela não precisa de um objeto. Por vezes, basta uma memória. Fico alegre só de pensar num momento de felicidade que já passou. E, em segundo lugar, a fome de alegria jamais diz: “Chega de alegria. Não quero mais…”

A fome de alegria é insaciável.” – Rubem Alves

O aprendizado no poema é que descobrimos que alegria é aquela que é insaciável. Surgiram muitas teorias, pensamentos sobre quem viveu suas alegrias e por quê. Depois de refletirmos um pouco, meu querido propôs outro movimento: Um leilão de alegrias. Ele leu frases e a pessoa que se identificasse com ela, levantaria a mão e teria que oferecer algo em troca para conseguir aquela frase. Eu infelizmente perdi minha frase, pois mais duas pessoas se identificaram com ela e no leilão não dei o ‘lance’ maior rs. Ela diz o seguinte:

 “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.” Madre Teresa de Calcutá.

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Falou coração, falou minha língua, basicamente. A ideia era substituir o sofrimento pela alegria, a vencedora ofereceu a vitória dela sobre a depressão. Danada rs, mas fico feliz por ela. Por fim, meu querido nos presenteou com um brinquedo que Rubem adorava, e que fez ligação com o final de seu poema sobre a alegria, que diz

“A alegria não é um estado constante – bolas de sabão. Ela acontece, subitamente. Vai-se rapidamente, mas sempre pode-se assoprar outras”

Então ganhamos esse brinquedo de fazer bolas de sabão e cada um que ganhava, revelava uma alegria 😀 não falei a minha em voz alta, mas se conseguisse diria: rever os amigos e ganhar abraços. Ah! E ainda teve sopa sim, e com certeza muita alegria renovada.
Espero que todos saibam que alegria não é nenhum prêmio que se aguarda ao fim das lutas, ela é a própria luta, ela é o caminho e os sorrisos por ele. A alegria é muito leve para se colocar em alguma coisa fixa, ela sempre circula para te dar o poder de se alegrar com tudo e todos.

Balançar evita depressão!

Sarau especial dia das crianças.bal

Esse foi meu primeiro sarau sozinha! Os outros dois saraus que participei, levei alguém para me acompanhar ou conhecer esse ambiente maravilhoso que é o instituto Rubem Alves. Nesse sarau, devida a agenda apertada dos amigos, eu tive que fazer um bem bolado para conseguir ir, e não é que mesmo com complicações eu consegui? Tive que dormir no apê da minha amiga (alias, eternamente agradecida Anii) e foi muito gostosa essa aventura solo com a poesia.

O sarau:

Meu querido (hahaha sim, o mentor do sarau Pe. Edvaldo) iniciou o sarau com a tão querida música ‘bola de meia bola de gude’ que faz referência a infância. O tema do mês foi ‘a criança’ pela razão de outubro ser um mês dedicado aos pequenos. Vocês conhecem essa música? Se não, por favor, ouça! É do Milton Nascimento! Após ouvimos, ele quis que prestássemos atenção na seguinte frase “toda vez que o adulto balança ele vem para me dar a mão” (aqui se referindo a criança da música/ou a criança dentro de nós) na reflexão vale duas coisas: quando vacilamos na vida adulta, a criança em nós ampara e nos dá a mão, e também vale o balançar referente a balanço mesmo, o brinquedo. Por que não um adulto usar balanço? Bom, aqui no caso não há balanços para adultos, mas Rubem Alves sempre afirmou que deveriam existir, já que para ele, balançar evita depressão. O balançar aqui ele usa de metáfora para o movimento da vida. Quem se movimenta não entristece, quem balança a vida não tem tempo para enfatizar as coisas ruins, quem balança sente o vento da mudança, quem balança impulsiona a vida. Essa música é muito poderosa. E ser criança é muito poderoso.

Discutimos essa dificuldade de ser adulto, das coisas práticas e secas que o adulto enfrenta, e a facilidade que a criança tem de perdoar, seguir, brincar e se empolgar com cada detalhe da vida. Adultos, estamos tão ocupados em cumprir prazos, leis, vontade e obrigações que deixamos de lado a leveza da criança porque ser adulto é levar a vida a sério, e vida séria é vida sem brincadeiras (e pesada não?). Por que será que na dificuldade da vida, a gente tem vontade de colo? Chora? Adjetivos aqui da criança. Todos voltamos a ser crianças, porque no fundo nunca deixamos de ser. Na religião, Jesus declara que só quem é criança entra no reino dos céus. Porque céu é leveza, e adulto é pesado.

Depois de muitas opiniões, todas muito parecidas de como deveríamos manter a criança em nós e que cansa demais ser adulto, meu querido fez uma dinâmica do brinquedo. Ele disse que precisamos saber brincar, e se a gente ainda sabia brincar. Deveríamos escolher um brinquedo para entrar no céu. E além de escolher o brinquedo, deveríamos saber brincar com ele, e ensinar os outros a brincar. Eu fiquei na dúvida entre dois (que não sei exatamente se são brinquedos, hahaha), mas que a mim, eu me divirto e viro criança. Um deles é o microfone (Lea Michele? Hahaha) e o outro é uma sapatilha de bailarina (sonho eterno). Escolhi o segundo, porque céu a mim é realizar sonhos, então serei bailarina. Minha alma é dançarina, sempre achei isso, e acredito que sempre pensarei assim.

Ahhh a criança, quando crescemos sentimos essa nostalgia de quão mágico as coisas eram quando criança. No fim, acho que desejamos que a magia nunca vá embora. Espero que de você ela nunca vá. Você saberia dizer o brinquedo que gostaria de levar com você pra sempre? E brincar, você ainda sabe? Você gostaria de balançar sua vida? Lembre-se que a criança sempre lhe dará a mão.