Sobre almas e cumplicidade.

e3eb6c207a537fd2d5e715bf2c23e6ef

Quando pré-adolescente, aprendi algo muito valioso com meu querido padre: a cumplicidade. Em uma de suas homilias, ele fez toda a sua fala embasada na maneira de Rubem Alves e de Deus de olhar a palavra cúmplice diferente de como ela é utilizada. Quando vista no dicionário, a palavra remete a crime (ação negativa). Mas o seu segundo significado é que realmente deveria estar presente em nossas vidas.

Cúmplice: Parceiro; quem realiza alguma coisa com a ajuda de outra pessoa.

Meu querido dizia que éramos cúmplices do mesmo querer: O Bem. E isso fazia de nós almas semelhantes. E isso eu jamais esqueci.
Uma coisa muito clara a mim é minha sede de pertença, tenho sempre essa vontade de ser parte de algo, para alguém. Ou seja, quero ser cúmplice, quero uma alma semelhante a minha. E eu acredito muito nisto, nessa coisa de que nossa caminhada tende a cruzar almas parecidas, para que nos encontremos e para que possamos saciar essa sede do querer. E que esse querer seja o bem, espero eu.

Quando iniciei 2017 eu desejei novamente tudo isso. O meu cúmplice, minha alma. E posso sinceramente dizer que são muitas e não apenas uma. E com o decorrer do tempo e com minha vontade, essas almas foram cruzando meu caminho aqui e ali. E eles são de vários locais, o que me deixa ainda mais feliz por deixar um pedaço de mim em cada um deles.

Eu audaciosamente sempre digo que “só quem é de alma reconhece outra alma” nada dessas de “opostos se atraem” não, é o semelhante, o cúmplice.

Quando isso ocorre, da alma se encontrar, automaticamente fico feliz. É como aquela brincadeira que se brota um amigo que diz “você também? Achei que era o único” E então tudo faz mais sentido.

Anúncios

221B Baker Street

As razões da minha identidade com Sherlock Holmes.

sherlock-series-4-iconic-maxi-poster-1.34

Mais um textão desabafo feat consolo?! Espero que sim, a verdade é que quero registrar as razões desse amor doido que surgiu pelo personagem (da série, importante ressaltar isso) e o por que Baker Street tem sido meu local mais constante nos últimos 6 meses.
Sherlock entrou em minha vida em setembro de 2016 (sim, eu guardo bem coisas que acabam me marcando) e desde então tenho constantemente me consolado com suas histórias e aventuras (embora o visual terminou em janeiro – S04). Me identifico muito com Sherlock e vou tentar explicar o porque. Não falo aqui identidade de sabedoria mental ein! Isso seria impossível. Minha identidade é com o homem e suas questões emocionais. Eu tenho tendência por me apaixonar (ou admirar, enfim use o termo que preferir) por qualidades que sinto que não possuo. Isso me lembra demais Rubem Alves quando ele escreveu: “Escrevo o que não tenho. Tenho sede, sou pote e a poesia é água” Pois bem, amo o que não sou, amo o que gostaria de ser, amo a capacidade de ser grande. Antes que você ache isso uma ladainha sem fim, um lembrete: eu ainda estou a aprender sobre autoconfiança e amor próprio. E já que toquei nesse assunto (o mais delicado de todos, a meu ver, pois me entristece rapidamente e profundamente) quero que saibam que posso ser a mais engraçada e espontânea (eu realmente sou), mas quando estou a pensar, me sinto extremamente sozinha e na maioria das vezes me entristeço ao começar relacionar coisas que gostaria e coisas que ainda não conquistei…
Mas aonde o detetive entra nisto tudo? Acho que eu admiro essa forma de alguém (personagem ou pessoas) de lidarem rapidamente com suas relações e não terem problemas quanto a questões emocionais. Respostas rápidas e confiantes “é isso e pronto e está tudo bem”. No meu caso “é isso, tem que estar bem, mas não ta não”. Sherlock é um dos tantos que eu brinco dizendo “queria ser”. Queria ter toda essa autoconfiança, pois a tendo, as outras coisas inacabadas são só coisas, vão embora como qualquer outra situação.
As pessoas dizem que na vida real também é assim, as coisas também vão, mas quem não gostaria dessa facilidade fictícia ein? Por isso amamos tanto os contos de fadas, as histórias de finais felizes, os romances. Tudo se encaixa, mesmo que demore.
Sherlock me deu as aventuras e me fez crescer sim! Depois da série eu dei início a escritas minhas no Fanfiction (site de fic) e estou tão feliz por um personagem dar tanta confiança para uma menina que raramente confia em si.
Eu sempre tenho essa sede de pertencer a algo e Sherlock me deixa a vontade no seu mundo. Como se “tudo bem estar do jeito que está” e isso me deixa mais tranqüila quanto as cobranças interiores e exteriores que existem.

Ps. você já assistiu a série?

Minha alma pulsou e eu atendi seu pedido.

tumblr_li9s4sP7y51qfcu88o1_500_large

Amanhã volto ao meu amor, volto a um local que me apaixonei antes mesmo de estar lá de corpo presente. O amor surge de muitas formas: um olhar, um desejo, um sonho. O meu? Ser bailarina! A dança, assim como a música e as artes são formas de expressar palavras que o coração não pode dizer, é uma forma de demonstrar amor por si e pelos outros. Dançar é elevar a alma para mais próximo de Deus. A dança é leve, é intensa, é uma conversa longa ou uma piscadela rápida.
Como uma pessoa calorosa e toda trabalhada nas expressões, a dança é pra mim uma terapia intensiva de amor. Ela é o encontro do anseio da minha alma e uma forma de espantar uma possível tristeza, uma constante saudade.
Havia deixado a dança em 2014 por razão de acertos de contas pendentes e depois o desemprego, mas sempre acompanhando de perto as fotos, os festivais e toda a equipe querida que eu conheci (e também alguns novos integrantes que irei conhecer). E sempre repetia “eu irei voltar” “eu ainda vou voltar”. No início deste ano, me encontrei com uma das meninas e repeti novamente “olha, acho que deste ano não passa” e não passa mesmo! Como aconteceu eu não sei explicar, as coisas são como são. Foram surgindo oportunidades de trabalho e eu abracei. E então, no último final de semana minha mente estava novamente num misto de saudade e solidão, coisas que são facilmente curadas com dança e então lembrei das minhas palavras ‘eu vou voltar’, calculei rapidamente se poderia fazer, e não precisou muito para decidir que SIM! EU ESTOU DE VOLTA.
Meu coração e minha alma estão em festa porque é como reencontrar um velho amigo, que um dia vivi coisas lindas. A dança é assim pra mim. Eu amo quando a vida faz isso. Ela é esse elástico que vai e volta, encontra e solta e esse mistério a gente nunca vai entender, só vai sentir (o que é maravilhoso).
2017 tem sido um ano que tenho me amado cada vez mais e isso tem rendido histórias bonitas e novos rumos (outros nem tanto) e quero cada vez mais ouvir os desejos da minha alma, porque daqui só levamos o que nela acumulamos.

Natal é esperança

Sarau Especial de Natal 2016.

sac

É muito engraçado ou estranho falar de natal fora da época de natal. Mas porque será que nos sentimos assim? Obrigados a comemorar somente nos dias específicos (ainda mais datas que envolvem o religioso).  O sarau de natal foi um dos saraus mais emocionantes que já participei. Ele foi presidido todo pela Raquel (filha de Rubem Alves) e foi um momento muito único a mim e espero que a todos.

Final de ano sempre nos trás uma canseira espiritual, corporal. Ele é desfecho e no geral estamos bem desanimados em determinados momentos. Eu por exemplo, estava sem vontade alguma para comemorações de natal. Triste devido a muitos acontecimentos. Mas o sarau veio de encontro a essa tristeza para que eu entendesse que nem tudo estava perdido.

O ritual começou já diferente, pois devido aos ventos fortes do dia, ficamos sem energia elétrica e fizemos um sarau a luz de velas. A Raquel havia preparado uma pequena mesa de ceia, com vinho, queijo e frutas secas. Tivemos a surpresa de um sarau diferente dos outros, mais pessoal ainda, mais aconchegante. Foram preparado dois textos chaves para o sarau, um de Alberto Caeiro e um do próprio Rubem, além da dinâmica que a Raquel fez de espalhar poesias sobre natal e Deus entre os participantes para ler e refletir.

Ela nos perguntou se acreditávamos em Deus, afinal, natal é uma festa religiosa, embora atualmente pareça mais uma troca de presentes e comilança. Esse foi um dos pontos tão importantes para que o sarau fizesse toda a diferença

Mas a mim, o ponto mais alto foi quando Raquel compartilhou uma coisa muito pessoal conosco, algo de sua vida, para nos colocar em vista de que mesmo na maior dificuldade devemos comemorar o natal; Ela não estava querendo se fazer de vítima ou algo do tipo ‘há pessoas que sofrem mais que você’ não! Ela queria ser exemplo sim de esperança. E ela fez! Pelo menos a mim. Não irei comentar a fala dela, mas saibam que é relacionado a vida, a relacionamento, a saúde. Coisas que são essência da nossa existência. Ela disse que mesmo na dor podemos ser gentis e que esse movimento faz com que tudo vá com mais leveza.

Eu saí deste sarau renovada. Eu saí acreditando que mesmo com um ano duro, um desfecho que talvez não esperava, o natal estava aí mais uma vez. Um menino que insiste em nascer para nos dar esperança.

Ao final, Raquel nos propôs para fazermos um movimento para o natal e ano novo. Coisas que queremos que fosse diferente. Que sempre tivemos vontade de fazer, mas achamos sem importância. E disse que depois queria que a gente contasse isso, nos próximos meses de sarau que viriam…

xt

“Deus lá nas alturas olhou pra terra e a beleza era tanta que até doeu…até que resolveu vir morar por aqui. O céu desce à terra. Nasceu, como um de nós. E desde então a vida inteira ficou sagrada” – Rubem Alves.

Sobre Alegrias

Sarau das alegrias!

bol

Pode parecer fácil falar de alegria, já que é algo que desejamos sempre e que é a base para a felicidade, porém falar de alegria requer muita inspiração e força de espírito.
Esse foi o segundo sarau que participei que teve como tema: Alegria. Essa que vai e vem em nossa vida e que pode ter muitos motivos ou motivo algum.
A cada sarau meu querido e porta voz do sarau realiza dinâmicas diferentes para falar sobre o tema abordado. De início ele recitou dois poemas sobre alegria de autoria de Rubem (um deles, aliás, tinha lido um dia antes, pois fiz uma lição de casa e estudei sobre o tema)

“Antigamente eu pensava que prazer e alegria eram a mesma coisa. Não são. As diferenças. Para haver prazer é preciso primeiro que haja um objeto que dê prazer um caqui, uma taça de vinho, uma pessoa a quem beijar. Mas a fome de prazer logo se satisfaz. Quantos caquis conseguimos comer? Quantas taças de vinho conseguimos beber? Quantos beijos conseguimos suportar? Chega um momento em que se diz: “Não quero mais. Não tenho mais fome de prazer…A fome de alegria é diferente. Primeiro, ela não precisa de um objeto. Por vezes, basta uma memória. Fico alegre só de pensar num momento de felicidade que já passou. E, em segundo lugar, a fome de alegria jamais diz: “Chega de alegria. Não quero mais…”

A fome de alegria é insaciável.” – Rubem Alves

O aprendizado no poema é que descobrimos que alegria é aquela que é insaciável. Surgiram muitas teorias, pensamentos sobre quem viveu suas alegrias e por quê. Depois de refletirmos um pouco, meu querido propôs outro movimento: Um leilão de alegrias. Ele leu frases e a pessoa que se identificasse com ela, levantaria a mão e teria que oferecer algo em troca para conseguir aquela frase. Eu infelizmente perdi minha frase, pois mais duas pessoas se identificaram com ela e no leilão não dei o ‘lance’ maior rs. Ela diz o seguinte:

 “A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.” Madre Teresa de Calcutá.

bol2

Falou coração, falou minha língua, basicamente. A ideia era substituir o sofrimento pela alegria, a vencedora ofereceu a vitória dela sobre a depressão. Danada rs, mas fico feliz por ela. Por fim, meu querido nos presenteou com um brinquedo que Rubem adorava, e que fez ligação com o final de seu poema sobre a alegria, que diz

“A alegria não é um estado constante – bolas de sabão. Ela acontece, subitamente. Vai-se rapidamente, mas sempre pode-se assoprar outras”

Então ganhamos esse brinquedo de fazer bolas de sabão e cada um que ganhava, revelava uma alegria 😀 não falei a minha em voz alta, mas se conseguisse diria: rever os amigos e ganhar abraços. Ah! E ainda teve sopa sim, e com certeza muita alegria renovada.
Espero que todos saibam que alegria não é nenhum prêmio que se aguarda ao fim das lutas, ela é a própria luta, ela é o caminho e os sorrisos por ele. A alegria é muito leve para se colocar em alguma coisa fixa, ela sempre circula para te dar o poder de se alegrar com tudo e todos.

Balançar evita depressão!

Sarau especial dia das crianças.bal

Esse foi meu primeiro sarau sozinha! Os outros dois saraus que participei, levei alguém para me acompanhar ou conhecer esse ambiente maravilhoso que é o instituto Rubem Alves. Nesse sarau, devida a agenda apertada dos amigos, eu tive que fazer um bem bolado para conseguir ir, e não é que mesmo com complicações eu consegui? Tive que dormir no apê da minha amiga (alias, eternamente agradecida Anii) e foi muito gostosa essa aventura solo com a poesia.

O sarau:

Meu querido (hahaha sim, o mentor do sarau Pe. Edvaldo) iniciou o sarau com a tão querida música ‘bola de meia bola de gude’ que faz referência a infância. O tema do mês foi ‘a criança’ pela razão de outubro ser um mês dedicado aos pequenos. Vocês conhecem essa música? Se não, por favor, ouça! É do Milton Nascimento! Após ouvimos, ele quis que prestássemos atenção na seguinte frase “toda vez que o adulto balança ele vem para me dar a mão” (aqui se referindo a criança da música/ou a criança dentro de nós) na reflexão vale duas coisas: quando vacilamos na vida adulta, a criança em nós ampara e nos dá a mão, e também vale o balançar referente a balanço mesmo, o brinquedo. Por que não um adulto usar balanço? Bom, aqui no caso não há balanços para adultos, mas Rubem Alves sempre afirmou que deveriam existir, já que para ele, balançar evita depressão. O balançar aqui ele usa de metáfora para o movimento da vida. Quem se movimenta não entristece, quem balança a vida não tem tempo para enfatizar as coisas ruins, quem balança sente o vento da mudança, quem balança impulsiona a vida. Essa música é muito poderosa. E ser criança é muito poderoso.

Discutimos essa dificuldade de ser adulto, das coisas práticas e secas que o adulto enfrenta, e a facilidade que a criança tem de perdoar, seguir, brincar e se empolgar com cada detalhe da vida. Adultos, estamos tão ocupados em cumprir prazos, leis, vontade e obrigações que deixamos de lado a leveza da criança porque ser adulto é levar a vida a sério, e vida séria é vida sem brincadeiras (e pesada não?). Por que será que na dificuldade da vida, a gente tem vontade de colo? Chora? Adjetivos aqui da criança. Todos voltamos a ser crianças, porque no fundo nunca deixamos de ser. Na religião, Jesus declara que só quem é criança entra no reino dos céus. Porque céu é leveza, e adulto é pesado.

Depois de muitas opiniões, todas muito parecidas de como deveríamos manter a criança em nós e que cansa demais ser adulto, meu querido fez uma dinâmica do brinquedo. Ele disse que precisamos saber brincar, e se a gente ainda sabia brincar. Deveríamos escolher um brinquedo para entrar no céu. E além de escolher o brinquedo, deveríamos saber brincar com ele, e ensinar os outros a brincar. Eu fiquei na dúvida entre dois (que não sei exatamente se são brinquedos, hahaha), mas que a mim, eu me divirto e viro criança. Um deles é o microfone (Lea Michele? Hahaha) e o outro é uma sapatilha de bailarina (sonho eterno). Escolhi o segundo, porque céu a mim é realizar sonhos, então serei bailarina. Minha alma é dançarina, sempre achei isso, e acredito que sempre pensarei assim.

Ahhh a criança, quando crescemos sentimos essa nostalgia de quão mágico as coisas eram quando criança. No fim, acho que desejamos que a magia nunca vá embora. Espero que de você ela nunca vá. Você saberia dizer o brinquedo que gostaria de levar com você pra sempre? E brincar, você ainda sabe? Você gostaria de balançar sua vida? Lembre-se que a criança sempre lhe dará a mão.

O que te define?

post

Um momento de erro não pode definir aquilo que você é.

No último final de semana (08) ouvi uma palavra que quero passar adiante. Uma reflexão sobre definição. E foi tudo o que eu precisava, para entender que estamos sujeitas a erros, mas que eles não podem definir aquilo que somos!

Por coincidência (na verdade, sou daquela que acredita que nada é acaso) eu havia passado recentemente por um desentendimento. Erros que acontecem nas nossas relações. E ao colocar a situação em panos limpos, me senti extremamente mal pela culpa ao qual levei e com o desenrolar do entendimento, levantei o seguinte questionamento “e se esse erro mostra quem sou?”. E antes que você pense também – Não! Teu erro não te define. Você é muito mais complexa para colocar tudo em apenas uma situação.

Continuar lendo

I Am That Girl | Campanha #AllTheVibes

All The Vibes

Novembro é um mês que vem com gosto de agradecimento. Não importa em que hemisfério estamos, é normal nos depararmos com os momentos de contemplação, em que enumeramos conquistas (que precisam pesar mais sobre os nossos fracassos).

Com essa vibe, o I Am That Girl fechou parceria com a Biossance, empresa focada em produtos de beleza com sustentabilidade, para realizar a campanha #AllTheVibes (Todas as Vibes).

Continuar lendo

Agenda: encontro novembro

encontros-i-am-that-girl-sao-paulo

Jout Jout nos pediu para fazermos um escândalo. Não sairemos aos berros – não ainda -, mas conversaremos sobre algumas pautas quentes das últimas semanas. A internet não anda nem um pouco fácil para as mulheres e queremos discutir quais os motivos para tanto ódio gratuito (além do machismo, claro).

Então, se você quer fazer um escândalo social conosco, eis o que você precisar ler antes de ocupar seu posto na roda:

Continuar lendo